[FILME] Wakefield – A vida em espera

  Alerta Spoiler : quem não gosta de filmes que sejam para “puxar pela cabeça” provavelmente não irá achar o filme nada de especial e até um quanto óbvio.

  Ultimamente não tenho tido muita vontade de ir ao cinema, os filmes que tenho visto têm-me desapontado imenso e considero os últimos que fui ver uma completa perda de dinheiro tirando “Wakefield” e “Homem-Aranha: Regresso a Casa”.

  A história retrata um trabalhador que, ao chegar a casa, encontra um texugo e o persegue até ao seu sótão, sótão esse onde passa a maior parte do resto dos seus dias. Ao observar a janela de sua casa, adormece numa antiga poltrona velha, acordando apenas no dia seguinte. Não querendo justificar-se à sua mulher, decide aguardar que ela saia para ir a casa e seguir a sua vida e acaba por entrar nesta rotina de justificações nulas. Dia após dia, deixa a sua antiga rotina de trabalho-casa e casa-trabalho e começa a liderança dum novo império, o seu sótão, onde observa durante dias sem fim as atitudes da sua família. Começa por fazer a sua higiene e alimentação baseada na ausência da sua mulher e, após isso, entende que não pode continuar com essa situação e começa por agir como um sem abrigo, vasculhando os caixotes do lixo das redondezas. Por fim, imagina os vários cenários do seu regresso a casa, mas nada passa disso.. imaginação.

  Posso referir-me a este homem como um cobarde por querer mudar a sua rotina sem nunca a mudar.

  Tudo começa com a sua tentativa de fuga e libertação da sociedade e rotina em que, praticamente todos, vivemos e nos adaptamos a viver. Por outro lado, essa fuga leva-o a outra prisão, o seu sótão. Podemos ver o sótão como um acto de desespero rotineiro, onde ele passa a ser o observador da sua história e não o protagonista, sendo que o receio das consequências dos seus motivos de perseguição se sobrepõem à felicidade duma vida.

  A frustração impede-o de regressar, a deserção que ficou confinada ao seu sótão tornou-o incapaz de tomar uma decisão regressiva quanto à sua situação. Os pensamentos duma viagem de comboio enquanto regressava a casa passaram a ser uma aventura de uma nova visão sobre a sua família, tornando-o um quanto egocêntrico por assistir ao sofrimento das pessoas que lhe eram próximas e um quanto cobarde por evitar as responsabilidade que, um dia, todos teremos. No entanto, não podemos deixar de o considerar altruísta pela capacidade de não continuar a “roubar” alimentos na sua própria habitação.

  Enquanto a sua vida se encontra neste impasse, recorda os sentimentos de quando se apaixonou pela sua mulher, aprofundando esse sentimento.

  Foi um filme que me transportou para a geração que estamos a criar, uma geração focada nos seus próprios ecrãs, onde um smile representa uma conversa e não um modo de conversação. Um mundo em que estamos demasiado preocupados com a nossa própria insatisfação do que em mudá-la, do que em transformá-la num objectivo alcançável.

  Se aconselho este filme? Sim, sem dúvida, não é um filme com “acção” propriamente dita, mas com conteúdo emocional que muitos de nós vive diariamente.

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