Escritora Ana Claúdia Dâmaso

Ana Cláudia “Maza” Dâmaso

25 anos | Portugal | Trabalhadora

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Sendo que ainda és uma “novata” no mundo da escrita, conta-nos um pouco mais sobre ti e o que te fez ingressar neste universo.

  Sempre gostei muito de ler, graças à minha mãe que lia histórias para adormecer desde que eu era muito pequenina. Graças a isso, sempre fui muito criativa, com ideias sempre a tomarem conta do meu pensamento. O meu sonho sempre foi escrever um livro e, por isso, desde os meus dez anos que tenho tentado, embora sempre tenha achado difícil passar da parte introdutória dos mesmos… Talvez ainda fosse muito imatura para concluir um, numa altura da vida em que é normal não nos focarmos realmente em nada, pois essa é a fase de sonhar bem alto e de viver embriagada com esses sonhos. Sempre gostei mais de ler fantasias e livros mitológicos, por isso sempre me vi a escrever algo do género… Tenho para aí umas introduções de três livros de fantasia que tentei escrever entre os 12 e os 19 anos, mas que continuam guardados para que um dia volte a pegar neles para os acabar… Realmente, nunca pensei que o meu primeiro livro fosse de ficção científica, mas aconteceu de uma forma bem natural.

As pessoas sempre tiveram a ideia de que era difícil publicar um livro, consideras este pensamento real?

  Eu também sempre tive essa ideia! Quando acabei o meu primeiro livro (“Koldbrann – parte 1: Rebeldes”) em Fevereiro de 2016, pensei que ia demorar um ano ou mais para vê-lo publicado, o que não aconteceu (e me deixou deveras surpreendida), pois assinei contrato com a minha editora passado um mês de o ter finalizado. O que é complicado não é achar a editora certa (ou melhor, a editora que mais tenha a ver contigo), mas sim o facto de haver muitas variedades de editoras (coisa que eu  também não sabia até tentar publicar um livro) onde uma boa percentagem das que estão dispostas a apostar em autores desconhecidos pede para que os autores invistam um certo valor monetário para a publicação da sua obra e, sim, nesse aspecto, às vezes pode ser um pouco mais complicado publicar o mesmo.

Que análise fazes à relação entre expectativa e realidade a nível monetário?

  Bom, acho que fui bastante realista enquanto a isso, quando pensava em autores desconhecidos a publicarem as suas primeiras obras. As coisas vão-se conseguindo com tempo! Como ainda não sou conhecida por uma grande massa de pessoas, é normal que ainda não consiga retirar grandes lucros, porém, nunca desistirei de tentar atingir o meu sonho e, claro, de publicar todas as histórias que tenho dentro da minha cabeça!

Antes de publicares um livro existem um conjuntos de passos fundamentais para que o mesmo resulte, principalmente se existe uma continuidade para outros episódios. Qual consideras que foi o teu maior desafio tanto antes do primeiro livro como no seguimento dos outros dois?

  O meu primeiro desafio antes de escrever o livro foi, realmente, começar a escrevê-lo. É-me sempre difícil começá-los pois quero passar logo para a acção e para os plot-twists e isso faz com que, às vezes, me encontre um pouco “presa” nos meus primeiros capítulos de um novo livro. Depois, em relação a “Koldbrann – parte 1: Rebeldes”, como é uma história contada em quatro partes, tive, claro (e como em todos os meus livros), estabelecer logo o início, meio e fim da mesma, para que assim não houvessem falhas na história (os tais chamados plot holes) e para que eu própria me conseguisse orientar no meio daquilo que queria escrever. Isso fez-me ter de criar toda a história e mundo envolvente (bem como as relações entre personagens e etc) antes de me debruçar sobre a escrita. Muitas vezes, estava a fazer a pesquisa para a colecção Koldbrann e a pensar “ai, só quero é acabar com toda esta pesquisa e começar, realmente, a escrever a história”. O processo de pesquisa demorou-me um ano mas estou contente por tê-la feito, pois sem toda essa pesquisa não seria capaz de construir a história que construí.

Onde te inspiraste para a concretização deste projecto?

  Bom, como já disse, nunca me vi a escrever ficção científica, quanto mais que fosse pegar nesse género literário logo no meu primeiro livro… Mas a verdade é que, também nunca pensei ficar tão fascinada e intrigada com uma conversa que tive com a minha irmã em 2013, altura em que ela ainda andava na escola, onde teve uma acção de prevenção em relação às drogas… E me falou de uma droga chamada krokodile (na qual me inspirei para criar a droga/vírus do meu livro, a koldbrann) que tinha umas particularidades muito interessantes, embora completamente horrorosas. Foi a partir dessa conversa que eu comecei a magicar como seria se essa droga “tomasse conta do mundo” e que consequências é que isso teria nas sociedades. Entretanto, já comecei um outro projecto (cujo primeiro livro será publicado para o próximo ano, 2018) que será uma colecção de livros de contos sobrenaturais com um toque de terror.

A procura duma “casa” também acaba por ser muito importante, tanto a nível de publicação como da própria publicidade que é necessária. Quais os métodos que usaste para encontrares uma casa? Aceitaste a primeira que ficou interessada no teu trabalho?

  Os métodos… Bom! Um ou dois dias depois de ter acabado o meu primeiro livro, fui ver as lombadas dos livros que tinha em casa e fui à procura de todas as editoras que consegui encontrar e nas quais gostava de ver o meu livro publicado. Procurei algumas, também, na internet. Assim que achei os seus endereços electrónicos, enviei os meus dois primeiros capítulos. Caso alguma editora ficasse interessada em ler mais, então contactar-me-iam para que enviasse a obra na sua totalidade. Recebi algumas respostas e propostas, sim. Deixei que passassem vinte, vinte cinco dias para poder ponderar em qual me “encaixava” melhor, e naquela que me interessava mais e, só depois de falar com uns quantos amigos e familiares é que me decidi.

Existem diversas editoras, com diversos focos artísticos, quais achas que se adequam a cada tipo de projecto?

  Sinceramente, não sei bem como responder a esta pergunta! Claro que há editoras mais especializadas para manuais escolares, para enciclopédias, mangá ou livros de especialização profissional, mas acho que a grande maioria das editoras, hoje em dia, está a abrir portas para todo o tipo de livros “de entretenimento”, sejam eles de poemas, contos, romances, autobiografias, culinária, auto-ajuda, etc, etc. Há editoras que ainda são conhecidas por serem só de um tipo de projecto, como é o caso da Círculo de Leitores, que já não publica só enciclopédias há alguns anos.

Outra parte fundamental da publicidade é, obviamente, o público. Para que tipo de público se direccionam os teus livros e que métodos utilizas para que a publicidade feita seja eficiente?

 Bom, o meu público alvo são jovens-adultos e adultos, embora saiba que tenho alguns adolescentes a procurar ler também os meus livros. Tento chegar às rádios e participar em todas as feiras de livro às quais me convidem. Já estive em escolas secundárias e básicas a divulgar os mesmos, estive num evento literário com quatro outras jovens autoras da Chiado (Mariza Martins, Patrícia Lourenço Ferreira, Iria Alexandra Cardoso e Tânia Dias), onde pudemos partilhar as nossas experiências e dificuldades, bem como publicitar o nosso trabalho. Tento ser activa nas minhas redes sociais e postar imagens, excertos e vídeos tanto sobre os meus livros publicados, como de pequenas curiosidades e sneak peacks sobre os que estão para vir. Também faço parcerias com bloggers, instagrammers e youtubers, que promovem o meu trabalho e dão opiniões sobre os mesmos o que ajuda muito a ganhar visibilidade perto de um público que se interessa por literatura.

Que conselhos darias a quem quer começar a viver da sua capacidade de escrita?

  Bom, eu própria ainda não vivo da escrita, mas sei que esse é o meu sonho. Suponho que o que todos temos a fazer, seja qual for o nosso sonho ou objectivo será lutar muito por ele e não só ficar a sonhar e à espera que este aconteça. Temos de ser criativos, inovadores, persistentes e optimistas e, sobretudo, nunca nos esquecermos do que já conseguimos atingir e do que ainda temos por fazer.

Quais os teus objectivos a curto e longo prazo?

  A curto prazo, quero acabar de escrever o meu quinto livro, publicar dois livros (o meu terceiro e quarto) para o próximo ano 2018 e começar a ter leitores brasileiros. A longo prazo, quero viver da escrita (como já antes referi), quero conseguir publicar um livro por ano, começar a vender exemplares em inglês e espanhol (no mínimo) e, talvez quem sabe um dia, ver um dos meus livros nos grandes ou pequenos ecrãs, talvez até ter um jogo baseado nos mesmos.

O “microfone” é teu!

  Obrigada pela entrevista, pelo teu tempo e interesse. Quero agradecer também à minha família, em especial à minha irmã (que é a autora das fotografias que constam nas capas dos meus livros), à Chiado Editora, claro, por todo o apoio e pela oportunidade que me deu de realizar o meu sonho, aos meus amigos que acompanharam todo o meu processo e que crescem comigo, à Sofia d’A CASA DA BOAVISTA no Porto que sempre me acolheu tão bem para as minhas apresentações, aos meus leitores e fãs, sem eles não teria conseguido chegar onde já estou(embora ainda tenha muito a percorrer), à Sara Maria e ao João Gervásio que foram os revisores do meu segundo livro e às minhas caras amigas e colegas de trabalho: Mariza, Patrícia e Iria, que compreendem “as minhas dores” melhor que ninguém.

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