Numa relação com a Solidão

  Que aconteceu ao nosso mar de orquídeas iluminadas pela lua enquanto trocávamos olhares dentro do parque de estacionamento? Que aconteceu ao brilho do sorriso que partilhávamos durante tantos meses? Que aconteceu às conversas significativas provenientes das palavras e acções sem sentido?

  Que te aconteceu a ti? Mas, principalmente, que me aconteceu a mim?

  Que aconteceu à pessoa que duma letra criava uma prosa? Que aconteceu à pessoa que transbordava felicidade? Felicidade essa caracterizada pelo seu alastramento e que não poderia ser alterada pela tua crítica. Que aconteceu aos unicórnios voadores que eram o meu meio de transporte para a Terra dos Sonhos? Que aconteceu ao poder que sempre me foi inato, a mim e ao meu olhar?

  Que me fizeste tu? E que permiti eu que me fizesses e consequentemente que provoquei em mim?

  Sempre fui a alma da festa até tu, indirectamente, me impedires. Bloqueaste as minhas tentativas e, aos poucos, eu fui desvanecendo. Não no estado conotativo, mas espiritualmente. Durante semanas fui representante da minha pior versão do “eu”. Passei a agir como uma versão desmazelada da minha pessoa, uma versão que nunca odiei mas sempre detestei. Uma versão que se dissipa na paixão e perdura na falta da mesma. Uma paixão que enche os olhos de muitos mas esvazia-os à sua saída.

  Para além duma estrela reluzente, também sou um buraco negro permanente. Na ausência de equilíbrio emocional, a estrela esconde-se por entre a obscuridade dum fundo quimérico. Sou sugada pela privação mística e comigo levo todos os que me rodeiam, todos os que se alimentavam da minha felicidade e mais alguns representantes da sua fraqueza existencial.

  Nós nunca voltámos ao que deixámos de ser, não por opção mas por falta de simplicidade. Deixámos o meu caliginoso mundo dominar a nossa áurea outrora saudável. Fomos possuídos pelo meu lado mais sinistro e enigmático. Fizemos da rotina um hábito e fomos esmagados pelo mesmo até que nos apercebemos que sufocámos lentamente na relação que dominávamos. Deixámos de parte a liderança do reino vencedor e tornámo-nos tão corruptos como quem nos envolvia. Sabotámos as soluções duma união pouco corrente.

  Tentámos o nosso melhor depois do término começar, depois de escondermos o princípio do fim. Estes fomos nós, nenhum com razão, ambos com motivos.

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