Holofote Natalício

  O Natal mágico de outrora representa agora um extremo reboliço sem significado. A banalização do facto de “termos a obrigação de dar porque recebemos” faz-me uma extrema confusão. Esta necessidade excessiva de comportamentos natalícios que não seriam realizados se não fosse esta época festiva deixa-me indefinidamente repugnada.

  Não, eu não gosto nem concordo com o Natal. Sim, eu já estimei o mesmo. No fundo, até me arrisco a afirmar que deixou de me agradar. O Natal, na minha evolução pessoal, deixou de ser uma época familiar festiva e passou a ser uma altura de consumismo tanto do que possuímos como do que desejamos ter mesmo sem meios para o pagar.

  Enchem-se centros comerciais à última da hora para comprar as últimas sobras, também denominadas prendas. Pessoas suadas pelos corredores apinhados com sacos que tendem a chocar contra as nossas pernas. Atrasos constantes nos serviços públicos enquanto esperamos ansiosamente pela carta de entes queridos que optaram por abandonar o nosso país.

  Praticamente todos nós gostamos de presentes mas prendas por “obrigação”?

  Contrariamente ao pré-definido, prefiro receber algo fora do Natal do que nesta malvada época. A distância entre lembrar-me de comprar algo num dia comum e comprar algo por ser merecido é abismal.

  Passamos então às reuniões familiares. As pessoas têm a mínima noção que reunirmos a família em épocas significantes apenas a faz ser uma família no papel e não na realidade? As pessoas desinteressam-se pelo contacto familiar e lembram-se da existência da árvore genealógica em alturas festivas, de perda ou de doença. Provavelmente durante o ano vamos encher a carapuça com situações repletas de energias negativas e passaremos a refeição num tic tac constante até ao explodir da bomba de palavras pouco medidas.

  Passamos então ao clima luminoso e decorado com árvores de Natal, uma decoração repleta de tons verdes, vermelhos e brancos. Clima complementado com o mesmo filme todos os anos “Sozinho em casa”, o filme de facto é muito bom mas todo o santo ano ver o mesmo filme é agoniante.

  Mais cover, menos cover sempre as mesmas músicas pestilentes de pirilampos e presentes debaixo da árvore. Acaba o Natal e que sobra? Limpeza, pouca sobriedade, carteiras mais vazias e mais presentes que nos desiludem pelo carinho que não foi representativo.

  Natal, em tempos foste mágico, agora és banal, que te fez mudar assim?

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