Tatá, 1 ano passou 15/01/2017

  Um ano passou mas nada mudou.

  Aguardei a tua ida durante os teus piores dias mas foi na tua sobriedade que te fizeram partir. Encontraram-te na churrasqueira, local onde tanto gostavas de permanecer, deitada e solitária a viver a paz do teu dia. Ali te deitaste num dia sem Sol, nem chuva. Ali passaste os teus últimos minutos, sozinha por opção apesar de teres mantido no  teu território, perto de nós.

Continua a ser difícil recordar, será sempre mais complicado para os que permanecem do que para quem parte. Há quem não consiga entender o meu motivo de admiração pelo céu mas eu consigo visualizar os momentos que me inspiram quando olho para ele nos seus dias de maior esplendor.

Foi na noite da passagem de ano, por entre fogo de artificio, da janela do meu sótão que te vi pela primeira vez. Recordei dois períodos intensos. O primeiro foi o momento em que adoptámos o Dreami, um outro felino como tu que apareceu à nossa porta e ao qual nos afeiçoámos apesar do pouco tempo que esteve presente. No fundo, acredito que tenha sido a tua prova de fogo. Tiveste de provar a tua capacidade de partilha, tanto do teu espaço, como de alimento, como de carinho. Depois de longos dias em que me considerei uma defensora dos “pobres e oprimidos”, conseguiste adaptar-te ao novo elemento. Relembro um dia em específico, o Dreami estava no meu colo durante a hora de jantar e tu passaste por baixo da cadeira. Sorrateiramente, o Dreami lançou a pata contra a tua cabeça e tu agiste com a maturidade que sempre tiveste, continuaste a caminhar como se nada tivesse acontecido.

Normalmente, é outro o momento no qual o meu pensamento se debruça, as duas semanas que tanto refiro. Recordo-me como se tivesse sido ontem. Todas as acções, todos os cheiros, todos os sentimentos. Fui eu, eu e mais ninguém a assistir ao teu trailer em primeira mão. Não representou um pesadelo, nem se opôs ao sonho. Poderia ser um conto mas não o foi. Poderia ser uma experiência de outro alguém partilhada comigo mas não o foi. Foi a história, a tua história de inocência num mundo repleto de ignorância.

Passou um ano desde a última vez que usei a colcha meio branca meio creme que representou o teu pouso durante a tua agonia.  Deitei-me ao teu lado, demasiado perto de ti mas mesmo assim parecias cada vez mais distante. O que outrora era uma realidade, agora vive nos meus sonhos e, em parte das noites, nos meus pesadelos. Certos dias fico desanimada, outros feliz, outros nostálgica e, tudo isso acontece, quando o meu olhar se difunde com a fotografia do raiar do Sol no teu pelo. A tua forma de olhar através da lente da máquina fotográfica ocorreu com tamanha intensidade, tamanha dimensão.

Pequenos milagres diários ocorrem, deixamos de dar conta deles quando esperamos pela grandiosidade desnecessária. Este foi o teu milagre, seres recordada nas estrelas como uma celebridade, seres recordada no Sol pelo teu brilho, seres recordada na lua pelo teu ar de caçadora furtiva e, principalmente, seres recordada por mim e pelo meu eterno sentimento e saudade que permanecerão hoje, amanhã e sempre.

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