A Geração dos Desconhecidos

Este é o nosso mundo, o mundo dos eternos desconhecidos.

Passámos de dominantes a dominados pela era tecnológica. Passámos de educados pela tecnologia a tecnologicamente educados. Vivíamos segundo regras estabelecidas pela educação dada pelos nossos parentes, pelos nossos professores, pelas nossas “figuras modelo” e passámos a ser regidos por regras difusas por entre a delinquência de comportamentos sem consequências aparentes.

Substituímos o vocábulo resiliência por desistência. Procurávamos, caíamos, explorávamos e o desejo pelo alcance de um maior e melhor conhecimento nunca era interrompido dentro de parâmetros pré-estabelecidos. Entrámos na época da negação de incentivos para alcançar o patamar superior das nossas mentes. O conhecimento passou a ser uma pergunta numa rede social ao invés da intensa e extasiante procura com o intuito de alcançar uma nova meta.

Fomos transformados sem termos conhecimento da nossa situação actual. De almas poderosas passámos a ser a fraqueza das gerações dominadas pela agressividade dos teclados automatizados pelo poder da não confrontação.

Passámos a ser vítimas sem estarmos contra os nossos próprios crimes. Reclamações sem fundamento e agressões por passatempo. Bullying, uma palavra que não é conhecida como tal, uma palavra que de negligencia passou a influência. Uma tentativa de grandiosidade reinada pela regressão ao invés da progressão.

Somos a geração da desconfiança, da troca de palavras-passe como base de perversão da nossa relação. Somos a geração que vive da evolução, a geração que de pouco passou a ter em excesso. A geração que observa as boas novas da população enquanto consumidores de tecnologias posteriormente à sabedoria do valor monetário e preciosidades adjacentes.

Somos a geração que começa relações já com pensamentos de término. Uma geração que se rege pela extrema profundidade de sentimentos pouco controlados, ou pela falta deles. A geração que trata das suas questões vivenciais através de likes, comentários, partilhas e, olha para as estatísticas das redes sociais, como prova do seu sucesso.

Poderíamos ser apresentados como “A Geração”, no entanto não passamos duma tentativa de geração. Uma geração que procria seres automatizados, consumistas e desvalorizados. Tecnologicamente evoluídos, socialmente debilitados, esta é a nossa geração. A geração que privilegia o telemóvel aos sentimentos, que nega a realidade do olhar e que teme a dor do sofrimento. Uma geração sem capacidade de autonomia, sem capacidade de entre-ajuda, sem capacidade de evitar ser influenciável. Esta é a nossa geração e cada vez mais aumenta a possibilidade de entrar em declínio.

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